10/09/11

Sem título

Devagar

Todas as palavras

Perderam o jeito.

Um verso

Sem ponto

Brotou em

Meu peito.

Uma crase

afiada tortura

meu

Traveseiro.

Sem ritmo,

Sem voz,

a catarse ficou

Perdida

Entre vírgulas

Mal postas.

Porque o que eu sinto

Não rima.


(Word cloud: Wordle)

31/03/11



Sincero

Não era catarse, era desejo.

Não era a terra, não era o gosto,

E nem a grama onde deitavam,

Era a calma.

Não era medo ou saudade, era fato.

Não era o amor, que de certo os cegava,

Era a certeza de que podiam ver claramente.

Não era platônico ou sequer carnal,

Era simbiose.

Não era a tristeza ou o medo da solidão

Era a vontade de fundirem-se.

Não era destino ou acaso,

Era escolha.

E assim, em uma tarde de verão,

Eles foram além.


Imagem: gettyimages

02/07/10




Esvaecer

Enquanto todos dormem,
Eu não consigo esquecer.
Os seus olhos vivem dentro dos meus,
A sua voz ecoa em meus passos
E eu ainda sinto o seu corpo.
Você brinca com os meus cabelos,
levanta o meu vestido...
E quando tento encontrá-lo,
Você já não está aqui,
nem nunca estará.

Imagem: gettyimages

29/01/10


De pé quebrado

Eu tenho um verso que arde,

late, despe e cospe, mas não rima.

É um bicho de quatro patas

Que arranha minhas paredes.

Um sussurro em francês

Dentro de um copo de Bourbon.

É a vontade de falar enquanto eu calo,

é todos os rostos que eu tento

esquecer.


Imagem: gettyimages

28/08/09








Inextricável

Rendilhava emoções, tecia caminhos delicados que nunca levavam seu corpo às pessoas que amava.

Era profundamente atrapalhada e, por vezes, matinha-se em braços errados, fazia juras desnecessárias, atirava-se no chão.

Porque era preciso amar, ela amava. Não sabendo como, inventava, romanceava e descomedia. Era boa em acreditar em mentiras e, melhor ainda, em não acreditar em verdades.

Tinha no bolso uma porção de amores platônicos, era assim que continuava amando, uma maquina fotografica, um livro velho, alguns amigos antigos e ramos de alecrim. Não precisa de muito, mas não sabia viver sem o que tinha.

Gostava de música, mas não sabia dançar. Adorava crianças, mas não queria ter filhos. Morava em capitais, mas sonhava com o interior. Falava de amor e, talvez, nunca fora amada.

Era frágil, feito porcelana de avó, e não eram poucas ou pequenas as ranhuras que tinha conquistado ao longo dos ultimos anos, mas... ela gostava de defeitos. Quando pequena, colecionava quadros tortos, pratos velhos, copos trincados e corações partidos.

Apaixonada por poesia, escrevia versos em guardanapos e imaginava que alguém os leria., distribuia cartas de amor para pessoas que não conhecia, rasgava-se em seda e festim para o atendente da padaria e, assim, coloria seu dia monocromático.

Estava acostumada com a vida que tinha, até que aqueles dois olhos estranhos surgiram e, pela primeira vez, ela sentiu… estava só!


11/05/09

Night and day, you are the one
only you beneath the moon and under the sun
Whether near to me, or far
It's no matter darling where you are
I think of you night and day.
(Cole Porter)


Quando não há calma na cama vazia,

e os deuses estalam os dedos em minhas retinas...

eu ainda sinto o seu perfume

Quando eu tento outros nomes em meus lençóis,

e a bossa no rádio não me excita mais,

eu penso em nós.

Quando tantas mãos seguram as minhas,

e eu continuo sozinha.

Quando amanhece e não é o seu rosto que eu vejo.

Quando anoitece e tudo em meu corpo é desejo.

O que mais seria?

Nostalgia

18/10/08




Sinais


Minha pele cobria o asfalto

Enquanto seu corpo inventava esquinas,

Éramos dois estranhos

Nas entranhas de uma colisão.

Minhas lágrimas percorriam avenidas

E suas mãos tateavam calçadas,

Éramos dois seres intangíveis.

Seus olhos eram lanternas

Que eu não podia ver,

Éramos a escuridão.

Eu sentia sede e você fome.

Éramos carne ao avesso.

Ao nos encontrarmos...

Éramos desejo.