Inextricável
Rendilhava emoções, tecia caminhos delicados que nunca levavam seu corpo às pessoas que amava.
Era profundamente atrapalhada e, por vezes, matinha-se em braços errados, fazia juras desnecessárias, atirava-se no chão.
Porque era preciso amar, ela amava. Não sabendo como, inventava, romanceava e descomedia. Era boa em acreditar em mentiras e, melhor ainda, em não acreditar em verdades.
Tinha no bolso uma porção de amores platônicos, era assim que continuava amando, uma maquina fotografica, um livro velho, alguns amigos antigos e ramos de alecrim. Não precisa de muito, mas não sabia viver sem o que tinha.
Gostava de música, mas não sabia dançar. Adorava crianças, mas não queria ter filhos. Morava em capitais, mas sonhava com o interior. Falava de amor e, talvez, nunca fora amada.
Era frágil, feito porcelana de avó, e não eram poucas ou pequenas as ranhuras que tinha conquistado ao longo dos ultimos anos, mas... ela gostava de defeitos. Quando pequena, colecionava quadros tortos, pratos velhos, copos trincados e corações partidos.
Apaixonada por poesia, escrevia versos em guardanapos e imaginava que alguém os leria., distribuia cartas de amor para pessoas que não conhecia, rasgava-se em seda e festim para o atendente da padaria e, assim, coloria seu dia monocromático.
Estava acostumada com a vida que tinha, até que aqueles dois olhos estranhos surgiram e, pela primeira vez, ela sentiu… estava só!









